Por Fernanda Bogoni
De um lado, um imponente teatro construído em 1952 (e entregue nos anos 70), um dos precursores do modernismo no Paraná. Do outro, um edifício histórico da cidade, inaugurado em 1916, filho da universidade mais antiga do Brasil. O primeiro, uma obra de Rubens Meister, irmã de gigantes de idade próxima, como o Centro Politécnico, o Edifício Barão do Rio Branco, a Prefeitura Municipal e a Estação Rodoferroviária de Curitiba. Hoje, um dos maiores complexos culturais da América Latina, sede da Orquestra Sinfônica do Paraná e do Balé do Teatro Guaíra. O segundo, projetado em estilo eclético pelo engenheiro Baeta de Faria em 1910, com uma cúpula central de vidro de inspiração francesa e escadarias circulares que, ao longo dos anos, ganhou transformações tornando-se o monumental edifício de hoje. O primeiro, com uma estrutura grandiosa de vãos e janelas, escadas amplas e linhas geométricas puras, além de muito concreto aparente. Considerado um Patrimônio Cultural do Estado do Paraná, pela concepção singular. Um espaço com mais de 16 mil metros quadrados e três auditórios principais que já receberam ilustres artistas de diversos locais do mundo. O segundo, ocupando quase toda a quadra, destaca-se principalmente pela fachada greco-romana branca, com colunas monumentais e ornamentação sóbria, e pela simetria, com elementos clássicos, baseados em ordem, equilíbrio e rigor geométrico. Entre eles e também por eles, a Praça Santos Andrade, reconhecida em nosso estado justamente por ter em sua composição dois grandes marcos arquitetônicos curitibanos: um educacional e outro cultural.
De um lado, o prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), de outro, o Teatro Guaíra. Esses dois edifícios entreolham-se diariamente pela Santos Andrade, se não enamorados, tal qual como esses: cúmplices de outras histórias de amor que por ali passam no decorrer dos dias, meses e anos. Um amor que resiste ao tempo e aos estilos.
Por aqui, nossa paixão continua sendo a arquitetura. E, claro, nossa cidade.