Por Fernanda Bogoni
Nossa cidade ostenta diversos títulos em construção sustentável e qualidade ambiental. Somos a capital brasileira com o maior número de edifícios certificados pelo Green Building Council (GBC) Brasil, um movimento presente em 76 países com o objetivo de acelerar a transformação da indústria da construção civil em direção à sustentabilidade. Temos, ainda, algo em torno de 65 metros quadrados de área verde por habitante, um valor cinco vezes maior que o mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Skyline de Curitiba — Foto: Wikipedia/Reprodução.
Nosso país está entre os líderes na construção de edifícios verdes e residências com geração de energia eólica e fotovoltaica. E os índices e certificações nacionais vêm evoluindo além disso, considerando também o impacto ambiental total, a gestão de água e o uso de materiais, por meio, por exemplo, de empreendimentos com áreas permeáveis, hortas comunitárias, coleta seletiva e estações de tratamento de esgoto em regiões sem infraestrutura pública.
Embora o conceito de residências sustentáveis tenha surgido no Brasil apenas por volta de 1990 e a regulamentação de diretrizes nesse sentido um pouco depois, a partir de 2000, é somente na década de 2010 que nos consolidamos com índices significativamente positivos, tornando-nos referência mundial. Somos hoje um destaque global no número de projetos sustentáveis. Mas, você tem ideia de onde vêm algumas dessas práticas?
As técnicas de bioconstrução vêm sendo pesquisadas e aprimoradas ao longo dos últimos anos, no entanto, são muito mais antigas do que pensamos tanto em áreas rurais quanto urbanas. Muitas, inclusive, têm herança nas tradições e costumes indígenas. O uso de materiais naturais que vez ou outra retornam à moda, como palha, madeira e barro, por exemplo. As técnicas de ventilação natural, o conceito de habitações coletivas ou espaços comunitários. A técnica ancestral do uso de terra batida para pisos internos - herança das regiões ribeirinhas e construções baseadas em formatos ovais ou circulares para favorecer a entrada e circulação de ar, uma estrutura inspirada nas ocas e malocas.

Foto: Archtrends Portobello/Reprodução.
Sustentabilidade como ancestral
Em nossos ancestrais, a sustentabilidade sempre esteve presente não por necessidade ou status, mas pela própria natureza da existência. A arquitetura indígena de povos como Yanomami, Karajá e Xavante, entre outros, reflete uma adaptação cultural ao ambiente que influencia o modo de habitar de muitas regiões brasileiras até hoje.
Hoje, hotéis nacionais de altíssimo nível utilizam materiais mais naturais, como madeira de lei para estrutura, cipós para amarração e palhas de palmeiras (como o buriti) em telhados e paredes, que ainda funcionam isolantes térmicos, além de uma sublime integração com a natureza por meio de projetos que privilegiam a ventilação e a iluminação natural. Um grande diferencial no mercado com acesso exclusivo aos privilegiados. E a maioria uma herança de povos muito antigos.

Foto: Archdaily/Reprodução.
Se você já teve a oportunidade de viajar pelo Brasil ou pela América Latina também já deve ter observado a sabedoria e precisão com que povos originários construíram seus lares, alguns conservados até hoje. Muitos desses locais foram descaracterizados pela colonização, no entanto, ainda possuem uma organização natural que vão desde técnicas de construção adaptadas ao clima tropical até hábitos de conforto.
Edifícios antigos podem ser mais sustentáveis
No meio de tantas tecnologias, que obviamente facilitam nossa vida e a integridade de muitos empreendimentos, às vezes esquecemos que o mais sustentável é o mais simples e muitas vezes mais “arcaico". A exemplo e ao contrário do que muita gente imagina, os edifícios antigos podem, sim, ser muito sustentáveis, alguns até mesmo mais do que as novas construções, pois preservam a energia incorporada em seus materiais e evitam resíduos de demolição. Atualizações de estruturas existentes com isolamento térmico, iluminação LED, sistemas eficientes de água e tecnologias renováveis também são excelentes caminhos que vale considerar. Já pensou nisso em seu dia a dia ou em seu projeto de moradia em Curitiba?
Retrofit no edifício Rouxinol, de 1978 — Foto: Vinicius Moscato.
Aqui na Ecoar, temos muitos empreendimentos retrofit disponíveis, alguns clássicos da cidade, que oferecem uma experiência mais sustentável, pois ao longo do tempo foram conservados com um olhar de quem não quer apagar histórias, mas mantê-las de geração em geração. Afinal, um novo edifício “verde” pode levar até 80 anos para compensar o impacto da sua construção, tornando os imóveis antigos muito mais vantajosos em diversos aspectos, inclusive, com as múltiplas heranças que carregam.
Pense nisso e vamos conversar.!