Por Fernanda Bogoni
Em nossa rede social vizinha, temos contemplado nomes importantes da assinatura urbana de Curitiba e também de outros municípios paranaenses. Jaime Wasserman é uma das figuras que você já deve ter visto por lá e, claro, também pela nossa cidade.
Jaime Wasserman e neto — Foto: Arquivo da família
Apesar de ter nascido em Montevidéu, no Uruguai, Jaime veio para Curitiba ainda criança, onde se formou primeiramente como engenheiro, depois como arquiteto, trilhando caminhos ao lado de Rubens Meister e Jaime Lerner. Seus pais eram judeus e vieram do Leste Europeu por volta de 1910, antes mesmo da Primeira Grande Guerra, já em busca de novos horizontes - estes, que provavelmente ele mesmo vislumbrou. Embora tenha sido contemporâneo de outros grandes arquitetos, Jaime Wasserman tinha sua própria marca: acreditava que a habitação coletiva poderia ser feita com dignidade, responsabilidade e beleza.

Conjunto habitacional Residencial Cosmos — Foto: Eduardo Macarios
No início da década de 1960, Curitiba recebe uma nova política habitacional que tinha como objetivo reduzir o déficit de moradias não só aqui, mas em todo o país. É então que sua trajetória se sobressai: ao invés de apenas aplicar “técnicas” e conquistar “números”, ele busca construir de forma sensível, com ética e qualidade. Seu olhar para a atmosfera das famílias e do cotidiano, seu pensamento lógico e a aplicação de materiais da forma mais íntegra possível fizeram de seu trabalho um verdadeiro legado para a arquitetura e para muitas histórias dos curitibanos.

Conjunto Residencial Independência — Foto: Paula Morais
Durante o período de atuação do Banco Nacional da Habitação (BNH), Wasserman foi um dos maiores empreendedores da habitação coletiva no Estado, com obras que se estenderam, inclusive, para Ponta Grossa, Maringá, Cambé e São Paulo, e conjuntos com mais de 500 unidades habitacionais. Alguns exemplos que podemos ver aqui em Curitiba são: o Centro Habitacional Visconde de Mauá, o Parque Residencial Fazendinha e o Conjunto Residencial Cosmos e o Conjunto Independência, e todos destacam sua arquitetura moderna e visionária para a época, que continuam íntegras mesmo com o passar do tempo.

Livro "Jaime Wasserman: Engenheiro, Arquiteto e Construtor", por Fábio Domingos Batista, Paula Morais e Alexandre Ruiz — Foto: Reprodução/Casa da Arquitetura de Curitiba
Jaime Wasserman morreu em 2016, aos 92 anos. Em 2022, os arquitetos Alexandre Ruiz, Fábio Domingos Batista e Paula Morais lançaram um livro com 45 de suas obras, além de sua história pessoal e profissional, como uma espécie de homenagem póstuma.
Na Ecoar, não somos apenas fãs de arquitetura e de causos urbanos, mas de gente que ajuda gente, por isso, é um imenso orgulho poder olhar e falar sobre sua trajetória.