Por Fernanda Bogoni
Clássico. Relativo à literatura, às artes e à cultura da Antiguidade greco-latina. Que tem como referência a tradição de Antiguidade greco-latina. Diz-se da obra ou do autor que é de estilo impecável e constitui modelo digno de admiração. Que constitui modelo em belas-artes. Que tem como base a tradição; tradicional.

Edifício Canadá, por Elgson Ribeiro Gomes — Foto: Vinicius Moscato
“Na minha opinião, o que torna um apartamento clássico, é se a sua construção teve influência na cidade abrindo novos paradigmas sobre a maneira de projetar e também viver", comenta Viviane Fogaço, arquiteta urbanista e corretora de imóveis na Ecoar. A arquitetura, afinal, é uma forte expressão cultural. Em alguns países e metrópoles, os estilos arquitetônicos acompanham movimentos sociais e revelam aspirações e também tensões de uma época. Além disso, argumenta Viviane, “imóveis que tenham se adaptado bem à passagem do tempo e ao tecido urbano, promovendo experiências de pós-ocupações bem-sucedidas também podem ser considerados clássicos".
A Casa Fredrico Kirchgässner, a exemplo, criou novas maneiras de pensar a construção e o modo de viver na cidade. À época, por volta de 1932, a obra foi inovadora e caracterizada como pioneira na arquitetura modernista não apenas aqui em Curitiba, mas nacionalmente.

Casa Fredrico Kirchgässner — Foto: André Nacli/Casa da Arquitetura de Curitiba
Construída em concreto armado, com terraços ao invés de telhados comuns, além de uma planta que sinalizava dinâmicas mais modernas da vida em família, em 1991 ela foi reconhecida pelo Estado do Paraná como um patrimônio cultural.
E por que não citar o Edifício Marumby, que testemunhou e protagonizou uma época em Curitiba. Considerado o primeiro grande arranha-céu da cidade, coleciona pequenas grandes histórias dentro de uma narrativa ainda maior: a passagem da art déco ao início do modernismo. Inaugurado em 1948, foi projetado por Romeu Paulo da Costa - o primeiro na capital dedicado exclusivamente para uso residencial, e apresentava referências do próprio arquiteto e do período em que ele viveu na França.

Edifício Marumby, por Romeu Paulo da Costa — Foto: Reprodução/The Photographer
O nome do edifício por si só já contém uma bela história: foi batizado em homenagem ao conjunto de montanhas paranaenses do Parque Estadual do Marumbi, justamente porque a ideia era que fosse o prédio mais alto da cidade, grandioso, imponente, a cara do novo. O térreo do edifício, dedicado a espaços comerciais, foi por anos sede do Departamento de Obras e Viação de Curitiba e de uma renomada livraria, mais aspectos que o tornam um verdadeiro clássico.
Curitiba abriga inúmeros clássicos e histórias cruzadas entre moradores ilustres, arquitetos que marcaram época e edifícios que participaram ativamente de momentos de instabilidade política e social. O icônico Mikare Thá, a poucos passos da Reitoria da UFPR, o Edifício Guadalajara, construído em 1970, o Edifício Araucária, com sua impressionante moldura de mais de 1.000 janelas, entre tantos outros exemplos, podem nos ajudar a multiplicar essa história.

Edifício Mikare Thá, por José Maria Gandolfi, Luiz Forte Netto, Dilva Slomp Busarello e Orlando Busarello — Foto: Eduardo Macarios/Casa da Arquitetura de Curitiba
Por aqui, seguimos buscando referências e, principalmente, imóveis que conservam um pouco da tradição de viver em Curitiba. Continue acompanhando nossos causos ou venha tomar um café com a gente.