Por Fernanda Bogoni
Em 1954, a Suíça sediou a primeira Copa do Mundo transmitida pela televisão. Na ocasião, apenas oito países da Europa assistiram aos jogos. Embora os brasileiros já acompanhassem o evento pelo rádio desde a edição de 1938, realizada na Itália, a Copa televisionada só chegou por aqui em 1970, quando conquistamos o tricampeonato no México.
Seleção brasileira em 1958 — Foto: UOL/Reprodução.
Na época, os televisores faziam parte da decoração da sala, combinados a outras mobílias e feitos de madeira nobre, como a imbuia. Custavam o equivalente a alguns salários mínimos e, por isso, apenas famílias abastadas podiam tê-los em casa, tornando as transmissões em geral quase um evento comunitário. Não era raro ver aglomerações de curiosos nas calçadas ou na sala de estar das poucas residências que possuíam o aparelho.
Os sofás e poltronas eram milimetricamente voltados para a TV, que ocupava o lugar central em muitos lares. Sim, o layout das residências foi reconfigurado em torno do televisor, que se tornou ainda um elemento de distinção e capital cultural dentro das moradias.
Foto: Dreamstime/Reprodução. Hoje, imóveis tem salas dos mais variados formatos e com as mais variadas intenções ou funções: sala de jantar, sala de visitas, sala de estar, sala de leitura, sala-varanda e por aí vai. Mas a sala de televisão, mesmo na era dos streamings e afins, continua sendo uma estrela nacional - junto com os ídolos das copas passadas.
ssim como os aparelhos eletrônicos, a sala de televisão passou por muitas eras
Primeiro, foram as “caixas mágicas”, como eram chamados os televisores de tubo: uma enorme e pesada caixa de madeira, que funcionava por meio de feixes de elétrons contra uma tela de vidro, formando imagens coloridas ou em preto e branco. E os controles remotos que vieram depois? Uma descoberta incrível, junto com a função sleep e o videocassete, que permitia gravar aquele capítulo da novela que não passaria novamente no dia seguinte. Nos anos 90, depois de mais de 20 anos de consolidação das salas de tv brasileiras, os recursos ficaram melhores: telas de 29 polegadas, mais marcas no mercado, valores mais baixos e novas ambientações e lugares de conquista do aparelho: para muitas famílias, já era possível ter uma televisão no quarto.
Foto: UOL/Reprodução.
A reunião diária na hora da novela continuava na sala principal ou até mesmo nas cozinhas, que traziam o objeto como uma peça agora menos decorativa, mas ainda como parte da mobília. No fim dessa década, também começaram a chegar ao mercado as primeiras televisões mais finas, de plasma, com tela widescreen, mais resolução e pixels, que faziam parceria com os também novos aparelhos de DVD. Com isso, as salas mudaram novamente, surgiram novos estilos de decoração, novos espaços para a caixa mágica e novas configurações familiares.
E o tempo foi passando, e novas Copas vieram, com menos títulos, mas muito mais tecnologia. Nas telas, a resolução melhorou, inaugurando uma nova categoria para o produto: as telas finas de alta definição que podiam ser penduradas na parede, proporcionando aos espaços o minimalismo da modernidade. Esses modelos eram compatíveis com os sinais da futura TV digital (HDTV), dos discos Blu-ray e games HD a serem lançados nos anos seguintes.
Hoje, smart TVs ultrafinas dividem espaço com projetores e telas que se escondem dentro de móveis quando não estão em uso. A Copa não chega mais por ondas de rádio nem reúne vizinhos na calçada. Ela vem em 4K, multiplataforma e às vezes nem precisa de uma sala “própria”: pode ser vista no quarto, na cozinha, no celular, no computador ou no tablet, em qualquer cômodo da casa. E a sua sala de televisão, ainda existe ou você anda procurando algo diferente, novo?
Não espere mais uma Copa do Mundo, vem falar com a gente!