Por Fernanda Bogoni
Capital Ecológica, Capital das Araucárias, Chuvitiba, Cidade Sorriso, Cidade-Modelo, Sapolândia, Curita ou até mesmo República de Curitiba. Com todas essas alcunhas e muitas histórias, nossa cidade completa agora, dia 29 de março, 333 anos de vida.

Passeio Público — Foto: Reprodução/Revista HAUS
Atualmente, sustenta índices de fazer inveja à mais efervescente das urbes. Em 2025, foi eleita a capital com melhor qualidade de vida e o melhor índice de desenvolvimento do Brasil. É constantemente reconhecida por ter um dos principais ecossistemas de startups e empreendedorismo do país, pela mobilidade urbana, pela cena cultural e pelos incontáveis parques. Conquistas que não vêm de hoje, mas de uma longa trajetória, e ela começa em 1693.
De zero a 111 anos
Curitiba nasce como vila, com uma arquitetura colonial formada por construções simples, de madeira, taipa, pedra, telhados inclinados e quase nada de ornamentação. É desenhada pela sobrevivência e religiosidade em torno do Pátio da Matriz. Sem arquitetos de renome oficial, vai surgindo em um traçado orgânico e irregular, fruto do tropeirismo e das influências barrocas. Um período de pouquíssimas referências concretas na arquitetura, mas que contribuiu na criação de uma identidade urbanística que até hoje está presente em nossas ruas e bairros.

Alto do São Francisco, aquarela em tela por Jean Baptiste Debret (obra produzida durante a Missão Artística Francesa ao Brasil, entre 1816 e 1831)
De 111 a 222 anos
Um período frutífero não apenas para a nossa cidade, mas também para o mundo. Independência do Haiti, Batalha de Waterloo, movimentos de independência na América Latina, Revolução Industrial e fim da monarquia no Brasil. Esse ecletismo, junto à chegada massiva de imigrantes europeus e do ciclo da erva-mate trouxeram para nós o início de um processo de crescimento e urbanização. Surgem os primeiros casarões e sobrados, agora com o uso de uma alvenaria mais sofisticada.

Rua XV de Novembro esquina com a atual Travessa Oliveira Bello, na década de 1910 — Foto: Reprodução/Prefeitura de Curitiba Por volta de 1900, são construídas as primeiras edificações institucionais, ainda com pouquíssimos pavimentos. Nos estilos arquitetônicos, vemos a influência dos imigrantes alemães, italianos, poloneses e ucranianos e do Art Nouveau. As residências de elite, pertencentes aos barões do mate, e os clubes sociais aparecem em uma malha ortogonal que agora demonstra os primeiros sinais de um planejamento com olhares de expansão. Ernesto Guaita e Cândido de Abreu começam a desenhar uma cidade que quer ser europeia.
De 222 a 333 anos
A partir dos anos 1950, com os novos materiais como concreto armado e vidro, mais integração entre forma e função e o aparecimento dos primeiros arranha-céus da cidade - sobre os quais alguns deles já falamos por aqui -, temos o início de um processo de verticalização e modernização da área urbana. A casa Belotti, de Lolô Cornelsen, o Edifício Barão do Rio Branco, de Salvador Cândia e Rubens Meister e o Edifício Canadá, de Elgson Ribeiro Gomes, são bons exemplos. Nem é preciso dizer, mas vamos reforçar: Jaime Lerner é figura central nesse período e nesse processo, integrando, ainda, a mobilidade à arquitetura e urbanismo curitibanos.

Casa Belotti, por Lolô Cornelsen — Foto: Eduardo Macarios
Desse período e como herança dos anteriores vieram também a institucionalização de edifícios icônicos na cidade, projetos com foco mais urbano e ambiental e a mistura de estilos contemporâneos. Muitos apelidos, aliás, surgiram também dessa época. Somos referência em muitos aspectos; essas todas do início do texto e mais algumas. Nossa cidade é moderna, funcional, diversa, cultural e sustentável. Ainda temos muito o que melhorar, com certeza, e de preferência antes dos 444 anos. Mas, depois de algumas fases e nomes importantes, conquistamos um lugar bom para se viver.

Curitiba — Foto: Reprodução/Curitiba Histórica Mais do que mudanças estéticas e arquitetônicas, vivemos profundas transformações no jeito de ocupar a cidade ao longo de todos esses anos. Parabéns a você, que nasceu ou escolheu Curitiba para viver. É um privilégio dividirmos nosso espaço e tempo com a sua história.
Pauta em colaboração com a redação de O Centro de Curitiba.