Por Fernanda Bogoni
Em meados de 1922, Curitiba passava por um processo de modernização e crescimento populacional, junto à forte imigração europeia. A economia do Estado era baseada na exploração da erva-mate, e as primeiras indústrias manufatureiras surgiam no entorno da capital.
Mais de um século antes disso, os primeiros membros da família Moreira Garcez já haviam chegado ao Brasil junto à corte portuguesa. Em 1885, nascia em Curitiba João Moreira Garcez, que viria a ser prefeito da cidade por dois períodos, de 1920-28 e de 1938-40, conquistando inclusive destaque nacional por sua atuação.
João Moreira Garcez — Foto: Orelhao.arq/Reprodução
Engenheiro de formação, sua gestão foi marcada pelo incentivo à expansão planejada da cidade, pela organização de loteamentos e pela abertura de novas vias, que junto ao Governo de Munhoz da Rocha implementou o projeto "Cidade Nova”, um conjunto de novas e mais largas ruas, com canteiros centrais, hoje as avenidas 7 de setembro, Silva Jardim, Visconde de Guarapuava, Iguaçu e Getúlio Vargas. Um passo importante na consolidação da capital paranaense como uma referência em planejamento urbano.
Durante sete anos, Moreira Garcez foi diretor de Obras e Viação do Governo Carlos Cavalcanti, quando promoveu a retificação da Estrada da Graciosa para o tráfego de automóveis e caminhões e inaugurou o antigo Theatro Guayra.

Theatro Guayra — Foto: Arquivo CCTG.
O atual grande auditório, também conhecido como Guairão, foi inaugurado em 1974, com o nome de Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto, em homenagem ao ex-governador.
Os edifícios Moreira Garcez e Leonor Moreira Garcez
Idealizado por Moreira Garcez, o edifício que leva seu nome é até hoje um ícone da arquitetura da cidade. Na época, tornou-se o primeiro arranha-céu de Curitiba e o terceiro edifício mais alto do Brasil.
Projetado pelo engenheiro Eduardo Fernando Chavez, o Edifício Moreira Garcez foi construído entre 1927 e 1959, em etapas: os primeiros cinco andares e o subsolo foram inaugurados em 1933 e, quatro anos depois, em 1937, foi a vez de mais um andar. Após 20 anos, o prédio ainda ganhou mais dois andares, totalizando oito.

Edifício Moreira Garcez — Foto: André Nacli.
Seu estilo Art Déco e sua localização, na esquina da avenida Luiz Xavier com a Voluntários da Pátria, ao lado da praça Osório, no centro da cidade, fazem do Moreira Garcez um ícone arquitetônico na capital paranaense, inclusive, com a representação de elementos paranistas como o pinhão na fachada e em detalhes internos do átrio.
A ideia inicial era transformá-lo em um hotel de luxo, mas o edifício teve diversas finalidades ao longo dos anos. Uma construção que marcou o começo da verticalização da capital paranaense e abriu caminho para diversos outros grandes empreendimentos que vieram depois, incluindo outro clássico: o Edifício Leonor Moreira Garcez, batizado em homenagem à esposa de João Moreira Garcez.

Edifício Leonor Moreira Garcez — Foto: Eduardo Macarios.
Com a assinatura de Elgson Ribeiro Gomes - que tem outros projetos marcantes em Curitiba -, como os edifícios Itália, Gemini, Canadá e Barão do Serro Azul, entre outros, o Edifício Leonor Moreira Garcez foi construído em 1974 e fica na esquina da Carlos de Carvalho com a Alameda Cabral, composto por uma fachada única, promovida pelas persianas verdes e pelos elementos vazados que criam uma sensação de movimento.
Mais um marco residencial e comercial na cidade, repleto de histórias que adoramos contar por aqui. Quer o Ed. Leonor Moreira Garcez por dentro? Clique aqui!